segunda-feira, 23 de abril de 2012

Obrigado, meu Deus, pela pipoca não ter queimado

Hábito bem comum entre esportistas brasileiros é agradecer a Deus após uma vitória. Jogou, ganhou, e já tá lá no obrigado-meu-Deus. A mesma coisa acontece com quem, sei lá, consegue pegar o último lugar no ônibus, ou ganhou no bingo.

Acho bonitinho e tal, mas não é meio egocêntrico? Fico com vontade de perguntar: Se Deus foi o responsável pela sua vitória, então ele também foi responsável pela derrota do seu adversário (ou daqueles que não conseguiram pegar o último lugar no ônibus). E por que? Você se acha melhor, mais merecedor da ajuda dos céus do que a outra pessoa?

Da mesma forma, toda vez que você for derrotado na vida, a culpa pelo revés não será sua, muito menos fruto do mérito dos outros; foi Deus. Se é ele que te faz vencer, então também é ele que te faz perder.

Por último, estaria Deus realmente preocupado com a sua classificação final no campeonato araguarino de ping-pong? Tá certo que você jura que ele é onipresente, mas, né?

Sei lá. Não estou aqui para levantar polêmicas religiosas. Não discuto com religiosos pelo mesmo motivo pelo qual não discuto com uma geladeira. Pra mim, cada um acredita no que quiser, desde que não tente fazer com que as outras pessoas vivam de acordo com os seus valores religiosos pessoais.

Se eu acredito eu Deus? Não. Se eu duvido que ele exista? Também não. Na verdade, seria supimpa se ele existisse. Só sei que nada no mundo até hoje me fez acreditar na existência divina (muito pelo contrário), exceto pelo fato de eu nunca ter chegado nem perto de achar uma resposta para a pergunta "como foi que o mundo começou?", mas enfim. Era só isso mesmo.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

De interesse público

Pelo plano empresarial, contratamos 7 linhas com a Vivo. Logo, recebemos 7 aparelhos. Liguei lá pedindo o desbloqueio de todos, ao que a operadora me informou que não seria possível, pois eles haviam sido fornecidos em regime de comodato, e só poderiam ser desbloqueados após o fim do contrato.

Sei que é cascata. A Anatel manda desbloquear e pronto, não tá nem aí se é comodato. Liguei na Anatel e, 5 dias depois (último dia do prazo), a Vivo me contata e desbloqueia todos os 7 aparelhos. Disse que foi em regime excepcional, pra agradar o cliente, mas eu sei que eles sabem que a lei os obriga.

Moral da história: quer resolver alguma coisa? Ligue uma vez na operadora. Se não der certo, não insista. Não brigue com atendente retardado. Anote o nº de protocolo (você vai precisar dele) e ligue pra Anatel no telefone 1331. Aguarde 5 dias e seu problema será resolvido, caso você tenha razão.

Foi a segunda vez que fiz uso desse recurso, ambas com sucesso.

segunda-feira, 19 de março de 2012

O guia da meretriz moderna no Facebook

1) Comente "adoooooro" nas fotos das amigas.
2) Comente "delíciaaaaaaaaa" nas fotos de comida das amigas.
3) Tire fotos de ladinho na Lounge, junto com as amigas.
4) Vá à Lounge.
5) Cole aqueles textinhos prontos sobre relacionamentos.
6) Tenha álbuns de fotos "Euzinha", "Simplesmente eu" ou "Momentos" no Face.
7) Chame Facebook de Face.

Pronto, agora você já pegou o lifestyle e pode ser biscate com muito estilo e sofisticação no Facebook.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Carta aberta à PM da Bahia

Egrégia Polícia Militar do Estado da Bahia, você está fazendo tudo errado. Por exemplo: vocês não estão agindo como pessoas civilizadas quando combinam queimar viaturas (bem público). Isso não é greve, é motim.

Contudo, NÃO CANCELEM O CARNAVAL DE SALVADOR. Se vocês fizerem isso, todos os micareteiros de Minas Gerais, São Paulo e demais estados da Federação não vão ter para onde ir. Corpos sem alma vagando pelas ruas de nossas cidades, que são consideravelmente civilizadas no carnaval, justamente porque nós exportamos nosso lixo praí nessa época do ano, ao passo que vocês exportam o lixo de vocês para o resto do país durante o ano todo. Portanto, é um pedido justo.

Ainda, não é justo deixar Ivetes Sangalos e Cláudias Leites da vida sem trabalho em fevereiro, pois é sabido que essas senhoras encontram no mês da folia seu período de maior bonança financeira. Não queremos colocar em risco a segurança monetária desses obeliscos da cultura brasileira com os quais vocês gentilmente nos agraciaram.

É um apelo. Por favor. Eu imploro.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Na internet, poodle vira velociraptor

É BBB aqui, estupro ali, Luiza acolá. A menina já virou "vadia" porque, em 24 horas, alguém se cansou da piada do Canadá. Outros já chamaram o cara de estuprador mesmo depois de a menina ter visto a fita e afirmado que foi consensual. Sem contar as milhares de reclamações sobre o próprio reality, assunto sobre o qual escrevi no post anterior.

A internet é uma bosta. Ela dá voz a quem, no cotidiano normal, é passivo. Faz gatinho virar leão. O cara é cheio de crítica e opinião no Facebook mas, quando sai de casa e encontra pessoas reais, não abre a boca. Fica lá, parado, fazendo cara de babaca sem ter coragem de dizer o que realmente pensa.

Se tá na fila da boate e alguém fura, não fala nada pra não criar climão. Mas tá lá no Twitter, peitudão, cheio da opinião, cheio de senso crítico.

O grande problema da internet é ter dado voz pra bunda-mole.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

BBB, BBB, BBB.

Começou o BBB. Metade das pessoas comenta sobre os brother e sisters, o resto fala mal pra pagar de bonzão.

Minha opinião sobre o BBB: acho um programa imbecil? Acho. Mas não muito mais do que os outros. Acho o Faustão muito mais chulo, inútil e vulgar, por exemplo.

Até aí, ok. Quem não faz igual? Quem não sai à noite, bebe todas e faz merda? Cansei de ver neguinho que vomita em banheiro de boate dizer que o BBB é o reflexo de um país sem cultura, e postando foto de filminho francês e link pra vídeo de jazz dos anos 40 no Facebook pra pagar de intelectualzão. Neguinho nunca estudou nada que preste na vida, mas jura que é politizado e intelectual.

O Big Brother não é invenção nossa. Veio dos nobres holandeses. Em tempo: lá, os programas tem muito mais baixaria do que aqui. O Brasil é um dos países mais sexualmente hipócritas do mundo. Nega sai pelada no carnaval bancado por bicheiros, mas não pode ter topless na novela das 8.

Eu simplesmente não gosto de reality shows. De todos eles. Não gostava nem daquele reality de guitarristas e músicos que passava na tv a cabo há uns anos atrás. Não é meu tipo de programa. Mal vejo tv direito.

Me acho bonzão por não ver tv? Não. Eu não vejo novela, mas baixo todos os episódios de How I Met Your Mother. Tem diferença? Talvez, mas não tão grande.

A única coisa que me incomoda no BBB, além do Pedro Bial (um cara que cobriu a queda do Muro de Berlim, e hoje se transformou no conceito do bobo-alegre), é o excesso de comentários nas redes sociais. É MUITA coisa. É um programa comum, tem todo ano, e mesmo assim as pessoas tratam como final de Copa do Mundo. Enche o saco, não por ser sobre BBB, mas por ser exagerado. Se comentassem o tempo todo sobre a carreira do Paul McCartney, eu também me encheria.

Só isso. Pessoal leva a sério demais esse programa. Tanto quem gosta quanto quem odeia. É só um programa, não é mais novidade e tem todo ano. Assiste quem se diverte com aquilo, não assiste quem não gosta. Simples.

E ah, a nova opção de unsubscribe do Facebook e a coisa mais linda do mundo.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Se não tá a fim de ajudar, não atrapalhe

Olha, se eu ainda estivesse imerso na área das Ciências Sociais, a primeira pesquisa que eu faria seria sobre as escolas brasileiras. O título seria mais ou menos assim:

"Escolas brasileiras: em que momento deixamos de formar pessoas e passamos a formar invertebrados?"

Bom, o Orkut morreu, e o Facebook está com tudo. É uma rede muito mais articulada, realmente. As pessoas tem muito mais interação entre si. Você lê não só o que seus amigos dizem, mas também o que os amigos deles dizem.

A princípio, é lindo. O problema é na prática.

Nem quero falar muito daqueles sites pavorosos como "O Melhor do Mundo" e "Risos no Face". Eu quero ter filho e, quando tiver, só peço que ele não se enquadre em 5 itens:

1. Seja micareteiro
2. Seja religioso chato (ou seja, seja religioso)
3. Seja viciado em drogas
4. Seja do movimento estudantil (ou seja, seja viciado em drogas)
5. Compartilhe coisas do Risos no Face (que nome é esse, Jesus amado?) e afins

Sério, filhão. Quando você já souber ler, eu vou te mostrar este post. Espero que você me entenda. Outras coisas, a gente conversa. Mas esses 5 aí de cima, NÃO.

Até aí, tudo bem. É só gente sem graça querendo ser engraçada. É um mal da humanidade, mas nada que não possa ser evitado. O problema real é a ignorância.

Sabe quando você recebe emails de corrente da sua mãe e pensa "mãe, os americanos não ensinam que a Amazônia é deles. Esse email é falso, e a foto do mapa da Amazônia com a bandeira dos EUA é montagem. Tadinha de mamãe, tão inocente... Não sabe usar a internet."

Pois é. Você provavelmente está fazendo a mesma coisa, seu bunda-mole.

Quer um exemplo? O tal texto sobre a lei do estacionamento gratuito em shoppings. É um texto, aparentemente sério e embasado, sobre uma tal lei estadual que impede que os shoppings cobrem estacionamento de quem fez compras lá dentro.

Um mundo de gente repassou. "OLHAAA GENT NAUM PRESISA MAIS PAGA ESTASIONAMENTO VAOMS LUTA PELOS NOSOS DIREIOTS11>!"

O texto está triplamente errado. Primeiro, esse é um email que circula por corrente há pelo menos 5 anos. Sei disso porque eu ainda nem morava onde moro hoje quando o li pela primeira vez.

Segundo, o próprio texto diz se tratar de lei estadual. Nunca achei que precisasse perguntar isso, mas o que vocês entendem pela expressão "lei estadual"?

a) Uma lei que vigora dentro de um estado;
b) Uma lei que vigora em um determinado município;
c) Uma lei que só vigora em países com nomes que começam pela letra "P";

A lei citada no email foi criada no estado de São Paulo. Mas não importa, porque mesmo ela sendo estadual, ela não vale. Apenas a União tem competência para legislar sobre o tema. Várias outras leis semelhantes foram revogadas em outros estados, por terem sido consideradas inconstitucionais.

Eu sei que hoje em dia tudo tá na internet, que ninguém quer saber de se informar, e que disciplinas como história e sociologia não são mais consideradas úteis por ninguém. O lance é ter iPod, iPad, iPhone, PowerMacs com Tiger, Leopard e Painted Onça. É estudar mecanicamente pra concurso, ganhar 30 mil por mês e ir a NY fazer compras na 5ª Avenida (que também tem um dos mais sensacionais museus do mundo, mas who cares?).

Beleza, façam o que quiserem. O problema não é não ajudar, é atrapalhar. Se você tem preguiça de se informar, então não repasse informação que você não sabe de onde vem.

Impressionante como tanta gente compartilha qualquer textozinho bem escrito, mas com conteúdo tacanho. É acreditar no vídeo dos globais - que, na sua maioria, nunca pisaram em uma universidade - sobre Belo Monte sem nem questionar. É repassar inverdades só porque elas parecem verdades.

Dá a impressão de que ninguém mais pensa, só repassa a informação. Reduzem assuntos complexos a meia frase que ouviram dos outros. Não param, pensam, se informam e chegam a uma ideia própria.

O pior é ver essas mesmas pessoas, quando lêem alguma notícia ruim, falar "pfff, só no Brasil mesmo!!! Brasileiro é foda!!!"

Ô, desgosto!

sábado, 5 de novembro de 2011

Os protestadores de internet e a deficiência do brasileiro médio em... pensar.

Dois acontecimentos recentes na sempre tola sociedade brasileira de hoje me chamaram a atenção. Esses protestos de internet sempre foram divertidos, mas agora já estão sendo só vergonhosos mesmo.


O caso Rafinha Bastos

O Rafinha Bastos é um imbecil. Sempre foi, desde antes de chegar à televisão. Pra quem não se lembra, ele tinha um conhecido site de piadinhas tão ou mais pavorosas do que as asneiras que ele andou falando por aí em rede nacional.

Daí, só pra variar, ele extrapolou a tênue linha entre o politicamente incorreto e o grosseiro, que só aquelas pessoas com um talento que ele não possui conseguem traçar.

Como ele já vinha falando bobagem há muito tempo e, dessa vez, envolveu o filho ainda por nascer de uma mulher, as pessoas se cansaram, celebridades se revoltaram e o cara foi atacado por todos os lados.

Não precisa me conhecer pra saber que eu meio que detesto a Wanessa Camargo, né? Ela representa tudo de ruim que há na cultura brasileira, ou na falta desta. Só conseguiu alguma visibilidade por ser filha de famosos. Tem o talento de um pé de jequitibá. Suas "músicas" (hahahaha, adoro falar que a Wanessa Camargo canta "músicas") dispensam delongas. Ainda por cima, é a única mulher do mundo que, mesmo tendo dinheiro, não consegue ficar bonita.

Não importa. Ela é a esposa de alguém, vai ser mãe de alguém, e você simplesmente não fala que vai comer o bebê de alguém. O mandamento universal do humor dispõe que, pra uma piada ser boa, todos os envolvidos tem que rir dela. Não foi, nem de longe, o caso. Enfim.

Venho criticando, há tempos, o emburrecimento da humanidade. Parece que quanto mais informação temos, mais estúpidos ficamos. É inacreditável como nossa geração é vazia e burra. As pessoas repassam informação ruim sem nem pensar sobre o que estão retransmitindo. Ninguém tem opinião, ninguém pensa, todo mundo só repassa o que ouviu e achou bonito. Vivemos uma geração de songamongas.

Cada polêmica traz, consigo, uma horda de gênios pensadores e filósofos. Com o caso Rafinha, não poderia ter sido diferente. Não deu uma semana, e algum gênio criou uma imagem no Facebook que dizia coisas como:

BRASIL O PAIS ENQUE COMEDIANTES SAUM LEVADOS A SERIO E POLITICOS SAUM LEVADOS NAS BRINKDERA11.1

Olha, essa afirmação é tão vergonhosa pra mim enquanto ser humano que vou procurar nem me alongar muito. Só quero saber o seguinte: O QUE DIABOS O RAFINHA BASTOS TEM A VER COM POLÍTICO CORRUPTO? QUAL A RELAÇÃO ENTRE OS DOIS? ENTÃO SE POUCOS POLÍTICOS SÃO CONDENADOS PELAS FALCATRUAS QUE FAZEM, NÓS NÃO PODEMOS FAZER MAIS NADA, A NÃO SER PASSAR O DIA INTEIRO XINGANDO-OS?

É a mesma coisa de dizer "não vou comer alface, porque alface é verde, e a bandeira da Suécia é azul". Usar um assunto totalmente diferente do outro como argumento tem um nome: falácia.


O câncer do Lula

Bom, eu não gosto do Lula. Gosto da Dilma, mas não dele. Na minha opinião, ele colheu louros passados, mudou o nome, se apropriou das glórias e agora fica posando de revolucionário. Foi um bom presidente porque deu continuidade ao que já vinha sendo feito, mas usou tudo isso para personificar, em si mesmo, a figura do herói nacional. Gostei - com ressalvas - de sua política continuísta, mas não gosto da pessoa dele. Mas isso não vem ao caso.

O episódio do câncer do nosso ex-presidente refletiu, como poucas vezes, todo o despreparo das pessoas no que tange à interpretação básica da língua portuguesa. As pessoas estão se formando médicas, advogadas e engenheiras, mas não possuem a menor competência para fazer o que o ser humano sempre deve fazer quando recebe alguma informação: parar e pensar.

A frase era simples: algo como "Lula, faça tratamento no SUS."

Como vivemos em uma era asquerosamente politicamente correta, na qual toda e qualquer forma de expressão que não tente agradar a tudo e a todos - mesmo que o politicamente incorreto tenha sido motor de grandes críticas que mudaram os rumos da sociedade ocidental ao longo do século passado -, os defensores da moral e dos bons costumes começaram a rosnar em duas correntes de pensamento distintas.

A primeira foi sobre a doença do ex-presidente em si:

NOSA Q ABÇURDOOO TAUM CRITIKNDO O CANSER DO PRESIDENET GTE ISO NAUM SEFAS NAUM C BRINK CO ISOO Q FALTA DE RESPEITO NA DIGUINIDADE DA PESOA UMANA SEUS RIDICULOOOOO 11!.

Esse grupo, há 50 anos atrás, teria sido composto por velhinhas nascidas no século XIX, adeptas do casamento com dote e do manual da boa esposa. Hoje, é formado por gente com menos de 30 anos e com toda a informação do mundo ao clique do mouse.


A segunda genialidade de interpretação do português é pior ainda. Fala sobre o Sistema Público de Saúde:

NOSAAA VOSES TAUM AI FALANO MAU DO SUS MAIS O SUS EH MASA ELE DA OS REMEDIO PROS POBRER E VOSES FALAO COMO SI ELE FOSE INDIGUINO NOSA VOSES CRITIKA O BRASIL ENTUDOOOOO1!<..,1

De repente, o SUS virou o mais moderno e espetacular sistema de saúde do mundo, como se jornais de circulação nacional não tivessem passado o mês retrasado inteirinho documentando, inclusive com fotos e filmagens, a péssima situação da rede pública de saúde no norte/nordeste.

Entendo que, em algumas regiões, o SUS funcione bem decentemente, mas daí a dizer que é um sistema imune a críticas é o cúmulo da falta de informação, a.k.a ignorância. Tipo "eu fui e recebi meu remedinho que nem a Finlândia dá de graça." Ótimo. Bom pra você. Meus parabéns, você é um campeão do Tony Tigre da Kellogg's. Mas tem gente por aí morrendo em corredor por falta de atendimento. Viva com isso.


De qualquer forma, não importa. A crítica inicial ("Lula, trate-se no SUS") não fala nem sobre uma coisa nem sobre outra. Não precisa ser gênio para pegar a sacada. Não precisa nem ter terminado a quinta série. Só precisa saber raciocinar.

Não estão sacaneando a doença do ex-presidente, e não estão jogando todo o SUS na lama. A crítica é sobre o próprio discurso do cara enquanto presidente.

Vou tentar resumir: se você tem memória, vai se lembrar que, em várias ocasiões, o Lula fez pronunciamentos oficiais sobre o quão perfeito era o SUS. Nas palavras dele, o SUS era "o mais moderno e completo sistema de saúde do mundo". Não fui eu quem disse, foi ele.

E é aí, e só aí, que a crítica recai. Ora, se ele criou um sistema público de saúde tão supimpa, por que não passou nem perto dele quando precisou? Ninguém está zombando do câncer do cara, e ninguém está massacrando o SUS como se fosse o pior e mais indigno tratamento já dispensado a um ser humano. Sério, uma criança espertinha já saca a ironia de primeira.

Concorde ou não, é essa a crítica. Sim, porque para entender uma crítica, você não precisa concordar ou discordar dela. Eu mesmo só concordo em partes. Mas daí a interpretar uma simples frase como um suíno retardado e sair internet afora propagando bobagem, já são outros quinhentos.

Se o Lula tem condições de se tratar no Sírio-Libanês, onde uma Aspirina deve custar uns R$ 30,00, bom pra ele. Que se recupere logo, pois ninguém no mundo merece ter câncer. Nem mesmo os sertanejos e pagodeiros. (Bom, nesse caso... Não, não. Pensando bem, nem eles. Tadinhos.) Mas, de qualquer forma, recusar o SUS implica em reconhecimento tácito, indireto, de que o sistema não é assim tão maravilhoso, né? De que o discurso de outrora não era exatamente verdadeiro, né? Que rolou uma mentirinha aqui e outra ali, como todo bom político demagogo, né? Ponto. É só isso. Sem drama.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Coisas das quais todo mundo se arrepende hoje

Olha, se tem uma coisa que absolutamente ninguém pode falar sobre mim, é que eu já fui vileno.


vi.le.no sm (vilenus) 1 Da vila; 2 jeca-tatu; 3 Pobre de espírito


Sempre tive a qualidade de saber quando uma coisa que tá na moda agora vai ser motivo de galhofa (cara, adoro essa palavra) no futuro. Ser roqueirinho e só andar de preto? Nunca fiz, e conheço mais de rock do que todos os que usavam, somados (nessa parte, eu não sou nem um pouco humilde). Camisa do Iron Maiden? Nunca usei. Fui no show dos caras de camiseta branca, e ainda me achei nas fotos do G1. O máximo que fiz foi um cabelinho mais curto aqui e umas pulseiras ali, muito pouco perto do que muitos dos meus coleguinhas fizeram.

Pois bem. Estava refletindo aqui sobre quanta coisa entrou na moda antes, a galera aderiu sem raciocinar, e agora todo mundo morre de vergonha. Daí, é claro, fiz uma lista:



1. A tatuagem tribal

A rainha do constrangimento. Meu, as meninas que fizeram tatuagem tribal no cóccix ou acima da virilha há 10 anos atrás devem estar MUITO ARREPENDIDAS hoje em dia.

Hoje, tattoo tribal é sinônimo de vilenice e caráter duvidoso. Qualquer panaca, já naquela época, podia prever isso. Eu avisava, mas ninguém me ouviu. Como ninguém nunca me ouve na hora certa, tá aí: 2011, menina com 28 anos andando de blusinha longa com sol de duzentos graus pra tampar a sua indelével marca de biscatez.

Duvida? Clica aqui então.


2. Dançar o tchan

Na atual conjuntura sócio-econômica, todo mundo sabe que a dança do tchan é ridícula e estúpida, e que todo mundo envolvido com ela - quem fez, quem cantou e quem dançou - tem a inteligência de um macaco.

O que poucos se lembram é que, na época, o É o Tchan! se tornou o maior grupo musical do Brasil, tendo suas dançarinas - Sheila, Carla e Jacaré - sido alçadas à categoria de maiores ídolos nacionais. Até boneca da Carla Perez existia.

O que menos gente ainda faz questão de lembrar é que praticamente todo mundo dançava a música. Quando eu era novinho, ia treinar tênis aos domingos de manhã e, à tarde, no mesmo clube, rolava uma lendária roda de samba pra menores de 13 anos. Molecadinha descobrindo os prazeres do sexo oposto, muita aventura e azaraçãozZZZzzzRONC.

Às vezes eu ia, e sempre, SEMPRE, ficava lá parado, olhando tudo aquilo com cara ruim, muita preguiça e torcendo pra escorregarem e o médico não saber se seria melhor tirar a garrafa da pessoa por baixo ou por cima. Não peguei quase ninguém, mas mantive minha dignidade. Ainda tenho contato com muita gente daquela época, e eles podem confirmar minha versão.

Mas só eu ficava parado. Todo mundo ficava tendo convulsões em cima de garrafa, achando a coisa mais legal do mundo."OLHA Q LEGAS TO AKI CO MINAH BUSETA ENSIMA DA GARAFA SO SENSUAL AKI EH SEDUSAOOO!1.,"

Quem dançou pode até fazer força pra esquecer, mas eu me lembro muito bem de todos vocês.




3. Piercing no supercílio

Parecia legal, mas era brega. Fica com cara de borracheiro que se arrumou pra ir ao baile funk no sábado. Hoje, todo Wanderson usa. Vale pro piercing no umbigo das gatinhas. Ponto. Tchau.



4. Mechinhas

Tempos atrás, não sei porque cargas d'água, as gatinhas começaram a usar umas mechinhas amarelas na franja. Era epidêmico. Você ia ao shopping e parecia uma invasão de Yorkshires.

A princípio, é meio inofensivo. Mas comecei a pensar que hoje eu posso conhecer uma menina interessante, querer namorar, ir na casa dela, ver fotos antigas dela com aquele tobogã dourado na testa e perder o encanto.

Seria bem ruim.



5. CPM, Detonautas e demais emices

Lembra quando o CPM 22 estourou, daí todo mundo gostava e fazia festinha bacaninha reunindo galerinha mirim recém-tatuada-piercingnizada cantando letrinhas que falavam coisinhas bonitinhas do coraçãozinho em musiquinhas repetitivinhas e com guitarrinhas mal tocadinhas?

Pois é, nunca curti. Sempre achei uma de juvenilidade inconcebível. Cheguei a ser zoado no IRC (só quem lembra dele é feliz) porque gostava de AC/DC. Alguém ficou bravo comigo, e me mandou framboesas cheias de ódio.

Pois é, LEMBRAO? Isso aí, hoje, é conhecido como EMO. A racinha de pessoinhas mais malditinhas do planetinha. CPM é EMO. Millencollin é EMO. Detonautas é EMO.

E nem adianta falar "naum eh emooo, eh hardcoreee!!..! HUMPFT >:/ nHaAaAa =}~~~~". Todo mundo sabe que hardcore é emo. E ponto final. Se você gostava de CPM, então você era ridículo antes, e continua ridículo depois. Eminho retardado.

AC/DC continua na moda. Todo mundo acha cool. Nem esquento; quanto mais gente gostar - ou disser que gosta -, melhor. Antes AC do que EMO. EMO. EMO.


Não posso mais parar
É só correr atrás
Nem tudo mudou
Não quero mais pensar
No que ficou pra trás
E nada faz voltar....faz voltar....
faz voltar....aaaaa
Aaaaaaa...
Aaaa...



quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Eu emburreço, tu emburreces, eles emburrecem

Já notaram que, dia após dia, a humanidade vai se emburrecendo? Eu poderia falar sobre isso citando vários aspectos que compõem uma sociedade, mas vou me ater a apenas ao que eu mais gosto: a música.

Como eu já disse mil vezes aqui no blog, eu não acredito no "gosto é gosto". Gosto só é gosto pra quem tem mau gosto, e ponto final. Acreditar que o coeficiente médio de civilização da "plateia" de um show do Luã Santana é igual ao dos frequentadores de um clube de jazz (e olha que eu não gosto de jazz) é a mesma coisa que acreditar em Adão e Eva: não é só porque você quer que vai acontecer. Não é e pronto.

Pra começo de conversa: não acho que música boa é música complicada. Há músicas complexas lindíssimas, mas também existem obras-primas fundadas na simplicidade. O que eu não admito é música tosca. Música boa tem alma, desperta algo nas pessoas, é feita com esmero, cuidado e, principalmente, talento. Muito diferente de um produtor musical pegar qualquer cara carismático no meio da rua e botar pra cantar música genérica pra um monte de baranga fedida cujo único objetivo na vida é arrumar namorado.

No século XVIII, tinha o Mozart. No século seguinte, um Beethovenzinho maroto. Tudo música complicada. Aí resolveram descomplicar e, no comecinho do século passado, o blues ganhou a galera. Estilo simplicíssimo, mas com alma, com verdade. Depois, o rock, seguido pelo pop dos 70.

Nos anos 80, aquela vilenagem toda.

Nos 90... Sinceramente, alguém lembra o que tocava nos anos 90?

Nos 2000/2010, MEDO, não gosto nem de pensar.

Antes, rock'n'roll de qualidade era Pink Floyd; hoje, é Kings of Leon. Será que ninguém consegue perceber a diferença ABISSAL, GIGANTESCA, MASTODÔNTICA entre os talentos?

Quer outro exemplo? Só olhar pra esses programinhas de caça-talentos: Ídolos, Astros etc. Já notaram que todos os candidatos cantam igual? Todo mundo com a mesma voz de quem tá louco de vontade deDEIXAPRALÁ. Criou-se uma voz padrão para homens, outra para as mulheres (essas cantam até mais iguais umas às outras ainda). Alguém duvida que o John Lennon seria sumariamente eliminado de um programa desses?

(Pausa: se você vai ao Ídolos, você não é alguém que está correndo atrás do sonho de virar cantor e encantar o mundo com sua bela voz; você é só um songamonga.)

Ou seja, é uma involução constante. Daqui uns 20 anos a música da moda vai ser um tamanduá tocando berimbau com um cachorro ao lado latindo. Isso é o que eu chamo de emburrecimento primário.

Sim, existe o emburrecimento secundário. E, apesar do nome, ele é ainda pior, porque recicla porcaria.

Hoje em dia, ser velho se tornou sinônimo de ser bom. As pessoas acham que tudo que tem mais de 20 anos de existência se torna legal e descolado. Não importa se na época em que foi lançado era uma merda; passam-se alguns aninhos, e tá tudo ok. Não é velho, é vintage.

Queridos, eu acho o seguinte: SERTANEJO DE RAIZ É UMA BOSTA. CINDY LAUPER NÃO VAI SER LEGAL NEM DAQUI A 500 ANOS. BEE GEES DÁ DOR DE BARRIGA. Era ruim antes, continua ruim agora. Estúpido lá, estúpido aqui.

Isso não pode continuar. Será que ninguém percebe que nossos filhos serão criados em um mundo que vai considerar Chiclete com Banana, Jorgemateus, Ivete Sangalo e Beyoncé gênios?

E que nossos netos vão usar camisetas com fotos do tamanduá que toca berimbau?

Colegas... Run to the hills.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O tiro ao Álvaro e o vendedor de Fandangos

Olha, eu tenho certeza de que fiz alguma coisa muito grave contra alguém bem poderoso no reino dos céus. Sei lá, devo ter gritado "Libertem Barrabás!" no julgamento de Jesus, espalhado fotos sensuais de Virgem Maria no Orkut ou botado ketchup no pão da Santa Ceia. Só isso explica.

Há dois meses, estive no Rio de Janeiro para o show do Paul Mccartney. Eu e mais cinco coleguinhas, numa viagem muito louca cheia de aventuras, surpresas, confusões e muita azaração.

O Rio de Janeiro é uma cidade linda (só na zona zul, mas é), quentinha e bem azul. O problema é que o povo é meio pitoresco. O que se vê, o tempo todo, é alguém vendendo algo. Você até pode correr, mas não pode se esconder.

Lá estou eu na paz e tranquilidade da assaz aprazível praia de Copacabana, um dos maioreZzZz cartõeZzzZzz postaizZzZz do mundo, todo supimpa, tomando um choppinho, olhando as gatinhas e pensando what a wonderful world quando, do nada, brota uma mini-banda de pagode samba bem ao meu lado:

♫ TÁUBUA DE TIRO AO ÁLVARO... NÃO TEM MAIS ONDE FURAR... TUNS KUNDUN... ♫

Pausa.




























Pronto.


Aquele tocador de pandeiro deve ser algum tipo de Senhor do Tempo, porque foram uns 3 minutos que pareceram 50. Ao final, um deles, bem ao estilo malandrão carioca acordo-e-vou-escovar-os-dentes-sambando passou com o chapéu, pra ver se descolava um dinheiro. Eu não sei se ele queria que eu desse tipo um couvert artístico, ou se era uma ameaça, tipo "bota dinheiro aí ou eu toco 'Tiro ao Álvaro' inteirinha de novo". Apavorado com essa possibilidade, nem lembro o que fiz. Me senti acorrentado em uma masmorra imaginária, num lugar aonde ninguém podia me ouvir gritar.

Sei que muita gente pensa que eu fui mal humorado, que devia ter aproveitado essa genuína manifestação da cultura carioca marota.

Hm, vamos ponderar: malandragem, ziriguidim e Juçaras dançantes?

Não.

O outro caso foi pior ainda, porque foi durante o show. Sir James Paul McCartney, o cérebro dos Beatles, o maior músico da história, uma lenda viva (que eu tive o prazer de cumprimentar no dia anterior, história que qualquer dia conto aqui). Eu já havia assistido aos dois shows de São Paulo, mas um concerto do Paul McCartney é único, mesmo que você já tenha assistido mil vezes. O cara é foda, e ponto final.

Um dos pontos altos da brilhante carreira desse senhor é uma música em voz e violão chamada Blackbird, que todo mundo aqui deve conhecer. Além da belíssima melodia, tem uma letra que fala do Movimento dos Direitos Civis dos anos 60. Enfim, uma obra-prima da época dos Beatles.

A certa altura, a banda toda deixa o palco, sobrando apenas Paul e sua viola. Começa Blackbird, as imagens no telão, e todo o estádio se encanta com momento tão belo e especial. Oun.

Até aí, tudo ótimo. Mas a experiência mostra que, no Rio de Janeiro, por mais legal que esteja o momento, sempre vai existir o risco de um carioca atrapalhar, pra te vender algo.

♪ Blaaaackbird fly... BlaaaackbOLHA O FANDANGOISH!!!!!

Bem na minha frente.

Pausa.





























Sessenta e cinco mil pessoas no estádio, e o cara resolve vender Fandangos no meio de Blackbird bem na minha frente. E ele quase esmagou aquele Fangandos na minha fuça. Num segundo, estou assistindo ao Paul McCartney tocando; noutro aparece uma espiga de milho sorridente. Essa aqui.

Parece piada. Em algum momento da formação daquele protozoário, as células do bom senso e da educação se perderam. Respeito com o espectador - que pagou caro, viu? - não há. No reflexo, acabei tirando o Fandangos da minha frente e soltando um arrogante "sai daqui!", atitude da qual me arrependi depois. Poderia ter sido mais educado, mas, né, guerra é guerra. Pelo menos foi baixinho, e as pessoas das fileira de cima também protestaram.

E pensar que eu buzinei minha amiguinha porque ela ficou falando borracha na hora de Yesterday no show de São Paulo... O troco vem, vem a cavalo, e é uma espiga comendo Fandangos.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Deixa disso o caramba!

Eu não sei se é uma característica do povo latino, brasileiro ou sei lá o que, mas já notaram o quanto as pessoas por aqui engolem tijolo sem reclamar?

A ordem parace ser "evitar climão". Furaram fila à sua frente? Ok, você fica calado para não causar climão. Jogaram lixo na rua do seu lado? Tudo bem, você não fala nada porque, né, vai que a pessoa acha ruim. Não pode.

Inacreditável que um ser humano se deixe incomodar para não contrariar quem lhe incomoda . Esse tipo de conduta me irrita bastante, já que, pelo menos eu me nego a ser feito de palhaço.

É claro que não se pode sair julgando as atitudes alheias com base no que você considera como certo ou errado, mas algumas coisas são universalmente estabelecidas e pronto. Furou fila na minha frente, eu pergunto "por que eu posso esperar na fila e você não?". Não quero nem saber se vai causar climão, se a pessoa vai achar ruim. Nem te conheço, cara-pálida. Quem se mete a malandro tem que estar preparado para receber críticas.

Mais inacreditável ainda é o quanto algumas pessoas se ofendem desnecessariamente. Certa vez, pedi - educadamente, juro - silêncio pra uma criatura que estava falando de ex-namorado com outra coleguinha a três metros de distância enquanto eu tentava assistir a uma aula de estatística. Não é que a pessoinha se ofendeu? Daí eu viro chato, cri-cri etc. Ou seja: atrapalhar os outros pode, receber críticas não. Cadê critério? Sei lá, se eu estou atrapalhando alguém e essa pessoa se manifesta, eu peço desculpas e paro. É o normal, todo mundo erra.

Tenho a convicção de que a maioria das pessoas não está preparada para viver em sociedade. Jogam papel no chão como se a rua não fosse de ninguém, andam a 30 km/h na faixa da esquerda e se ofendem quando o carro de trás dá luz alta, furam fila na sua frente como se você não existisse e, principalmente, ficam com cara de paisagem quando são vítimas desses pequenos golpes sociais. Criar climão pra que, né? Logo a fila anda e você esquece, seu BUNDA-MOLE.

Eu NÃO sou da turma do deixa disso. Ficar em cima do muro é coisa de quem quer se dar bem na vida sem esforço. Ninguém se mete a besta com quem reage. Se todo mundo se manifestasse quando um porcalhão jogasse bituca de cigarro no chão, nós teríamos ruas limpas. Isso não é resultado de lei, isso é questão de civilidade